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Resenha | Em Chamas, de Suzanne Collins

sexta-feira, novembro 15, 2013 Conrado Dittrich 2 Comentários

Escrevi esta resenha de "Em Chamas" há algum tempo atrás e achei extremamente propício publicá-la hoje - dia de lançamento do filme. Então, vamos lá...

Título original: Catching Fire
Autor: Suzanne Collins
Número de Páginas: 413
Editora: Rocco
Tradução: Alexandre D'Elia

Depois de ganhar os Jogos Vorazes, competição entre jovens transmitida ao vivo para todos os distritos de Panem, Katniss agora terá que enfrentar a represália da Capital e decidir que caminho tomar quando descobre que suas atitudes nos jogos incitaram rebeliões em alguns distritos. Os jogos completam 75 anos, momento de se realizar o terceiro Massacre Quaternário, uma edição da luta na arena com regras ainda mais duras que acontece a cada 25 anos. Katniss e Peeta, então, se veem diante de situação totalmente inesperada e, dessa vez, além de lutar por suas próprias vidas, terão que proteger seus amigos e familiares e, talvez, todo o povo de Panem.

Continuando a bem-desenvolvida jornada de Katniss, a sequência de Jogos Vorazes tem muito o que adicionar aos fãs e revela detalhes incríveis. Desta vez, lidamos mais com o emocional da personagem e com tudo que ela precisa lidar após ter incitado rebeliões nos distritos. Existe um impasse muito grande entre encorajar o povo à se rebelar ou fingir ter feito tudo por amor à Peeta. Isso, adicionado à vontade de proteger quem ela ama. Essa luta interior nos deixa profundamente presos ao livro e sua escrita em 1ª pessoa permite muito mais interação com a personagem e suas difíceis escolhas.

Durante a metade pra frente da trama, somos apresentados à novos personagens muito bem carismáticos e que possuem uma profundidade emocional muito bem trabalhada por Collins. Finnick - que ganhou seus Jogos aos 14 anos usando um tridente e uma rede - deixa qualquer garota suspirando e qualquer garoto o idolatrando. Com seu apelo sexy, destemido e um peculiar senso de humor, se tornou um dos personagens preferidos dos fãs e merece esse posto. O mistério por trás de sua postura, porém, nos deixa duvidosos sobre sua intenção, assim como Katniss. Mags, a senhora idosa que foi mentora de Finnick, é muito doce e simpática, o que me fez adorá-la intensamente. Johanna Mason, porém, é sarcástica e parece odiar Katniss. Ela ganhou seus Jogos fingindo ser fraca e covarde, mostrando-se uma matadora experiente no final da batalha. Com toda essa postura forte e destemida [e seu machado], também é carismática.

Os personagens antigos também mostram-se ainda mais desenvolvidos. Haymitch, que continua alcoólatra e irritante, aparenta menos pessimista, mesmo que ainda pareça não se importar muito com o que lhe acontece. Effie, por outro lado, mostra-se mais comovida com a situação de Katniss e Peeta e tenta ajudá-los da melhor maneira possível. Mesmo assim, continua sendo uma pessoa incrivelmente rígida quando se trata de etiqueta. O Presidente Snow está ainda mais ameaçador - ditando regras e se opondo à tudo que os distritos fazem.

Separado em três partes, o livro tem os melhores capítulos na terceira parte, pois são repletos de tensão e trazem a ação consigo - que torna o livro ainda mais interessante e intrigante. As duas primeiras separações lidam mais com o emocional de Katniss, enquanto que nesta última parte, voltamos à sobrevivência, presente no primeiro livro. É neste momento que não tem jeito de largar a leitura, pois fica-se extremamente curioso para saber "quem é o verdadeiro inimigo".

Um pouco mais expressivo que o primeiro livro (mesmo sem trazer consigo aquela "novidade", impossível de se ter em uma continuação), Em Chamas possui uma escrita ainda melhor e flui muito bem. A questão política está ainda mais presente e abre mais portas para mostrar o que há por trás do Governo da Capital. Continua sem romances monótonos e sem muitas cenas de ação e explora ainda mais o sentimento humano e aquilo que acontece quando alguém se opõe à um governo autoritário e poderoso. Suzanne Collins soube mesmo que direção tomar em sua trilogia e parece ter guardado o melhor para o final. Agora, só resta devorar o terceiro e último livro, A Esperança, para saber como essa magnífica história termina.

Nota:

*Assim que assistir a adaptação do filme, as CineResenhas do blog voltarão, onde falarei sobre o filme e suas diferenças.

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2 comentários

  1. Esse é o meu livro favorito, de toda a trilogia, pelo fato de ser mais elaborado. Arena é de uma inteligência, extraordinária.

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  2. Primeira saga que eu li e o segundo livro Em Chamas foi o melhor, além de ter vários detalhes e a entrada de outros personagens é excelente, agora se já o livro era meu preferido depois do filme meu deus é tudo de bom, uns dos únicos filmes adaptados que foi fiel ao livro.

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