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Resenha | Onde a lua não está, de Nathan Filer

quarta-feira, fevereiro 12, 2014 Conrado Dittrich 2 Comentários

Sabe aquele tipo de livro que, mesmo se lendo a sinopse, muitas vezes passa [injustamente] despercebido? Assim é o premiado Onde a lua não está...

Título original: The Shock of the fall / Where's the moon isn't
Autor: Nathan Filer
Número de Páginas: 270
Editora: Rocco
Tradução: Ryta Vinagre

Numa viagem de férias em família, dois irmãos saem numa aventura infantil no meio da noite, mas apenas um deles volta a salvo para casa. Finalista do Costa Book Awards, Onde a lua não está é o elogiado romance de estreia de Nathan Filer, enfermeiro da área de saúde mental e poeta performático britânico. Permanentemente assombrado pela morte do irmão, portador da Síndrome de Down, Matthew nunca desistiu de tentar entender o que aconteceu na fatídica noite e acredita ter descoberto uma maneira de trazê-lo de volta, neste comovente romance de formação que inspirou um curta-metragem dirigido por Udo Prinsen.

Minha expectativa para esse livro era que fosse mais do mesmo, com aquele drama comum, misturado com aventura [e desgraça] de dois irmãos. Mas foi assim que ele me surpreendeu de maneira bem positiva. Narrado através de pensamentos e escrita de Matt, o livro nos permite conhecer o interior da sua mente e navegar pelos seus problemas e loucuras internos.

Algumas vezes me senti confuso ao iniciar um novo capítulo, pois a distribuição temporal é diferente do convencional. A narrativa se passa em momentos distintos, como flashes, da vida de Matt e o que ele vai se lembrando do seu passado. Mas isso acabou não atrapalhando, pois ao final de cada parte, tudo é explicado e consegui me situar sempre que me veio essa certa confusão.

Mesmo com poucos diálogos - as poucas palavras ditas pelos personagens bastaram para que eu entendesse o que desejavam expressar -, a profundidade de cada um presente no livro é incrível e senti que nenhum deles está nele para preencher possíveis furos no enredo. Muito pelo contrário, eles estão ali fazendo parte do amadurecimento de Matt e acabam sendo peças-chaves no descobrimento da real situação do personagem. Algo que gostei na escrita do autor, é que ele conseguiu me fazer entender seus personagens e, com isso, me introduzir na história de um jeito que eu nunca pensei que fosse.

Onde a lua não está não é um livro comprido e sua narrativa flui muito bem, o que fez com que eu o lesse em poucas horas. Momentos estes que bastaram para que eu pudesse me aprofundar de maneira brilhante na "doença" que acompanha Matt. Ser enfermeiro da saúde mental, possibilitou o autor (que em sua estreia surpreende e até foi premiado) de conhecer melhor e nos mostrar o que uma pessoa mentalmente debilitada pensa, o que ela passa e, acima de tudo, como ela reage aos acontecimentos cotidianos de nossas vidas.

Ouso acreditar que este foi o livro mais bonito e profundo que já li... Não, ele não tem romance, nem drama meloso. Ele apenas expõe a profundidade de um ser que segue a vida carregando um sentimento de culpa e sua formação como pessoa. Estou, até hoje, pensando na história, em Matt e em sua família... Este é um livro muito especial e, na certa, levarei sua mensagem para o resto da minha vida. Recomendarei até o fim dos meus dias...

Obs.: O trabalho gráfico da editora, mais uma vez, está impecável e a capa é linda!

Nota:

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2 comentários

  1. Opa Conrado, estou bastante curioso em relalão ao livro. É interessante essas obras que possuem toda uma psicologia inovadora por trás. Onde vc comprou? Vou comprar assim q tiver dinheiro...

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  2. Na verdade recebi de parceria, mas já está nas lojas (ele foi lançado em janeiro). Vale a pena. ;)

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