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Resenha | Nuvens de Ketchup, de Annabel Pitcher

terça-feira, abril 14, 2015 Conrado Dittrich 0 Comentários


Título original: Ketchup Clouds
Autor: Annabel Pitcher
Número de Páginas: 270
Editora: Rocco (Jovens Leitores)
Tradução: Petê Rissatti
NOTA: 3/5
Sinopse: Zoe Collins guarda um segredo - um segredo obscuro e terrível que não ousa confessar a ninguém que conhece. Mas um dia ela ouve falar sobre um criminoso no corredor da morte que sabe tudo a respeito de segredos. E mentiras. E traição. Desesperada para se abrir com alguém, Zoe pega uma caneta e dá um profundo suspiro. Estas são as cartas que ela escreveu.

Nuvens de Ketchup é aquele tipo de livro que você gosta, mas não gosta. É estranho, eu sei, mas vou explicar logo mais abaixo. Agora, vamos aos detalhes:

Zoe Collins é o nome fictício que a protagonista usa para mandar suas cartas para um criminoso no corredor da morte. Através destas cartas, ela sente certa liberdade para expor o que ela fez de tão grave no passado. Ela descreve o seu cotidiano, não só seu problema em si, mas as situações improváveis que sua família passa. Ela tem duas irmãs - uma delas é surda - e uma mãe superprotetora (daquelas bem fictícias mesmo). Os pais estão passando por um momento complicado e, em meio a tudo isso, Zoe ainda tem uma história bem mais dramática pra contar.

Muito livros têm este tema dramático, que traz um protagonista precisando lidar com o sentimento de culpa e a necessidade de amadurecer emocionalmente. Poucos, porém, se aprofundam em seus personagens o bastante para que este drama realmente funcione.

A história de Nuvens de Ketchup vai tomando grandes proporções no decorrer da leitura. Acabei ficando super ansioso para terminá-lo e descobrir qual foi o crime tão terrível que uma garota do ensino médio poderia cometer. Foram apenas três dias de leitura e posso dizer que a ânsia para descobrir o segredo se sobrepôs à qualquer defeito do livro. Mas, ao seu final, deu pra perceber que o livro tem defeitos e é cheio deles.

A começar pela protagonista, que até agora não sei a idade que tem. Em alguns momentos, ela age com uma mentalidade infantil. Um capítulo depois, ela tem pensamentos de uma mulher forte e determinada. Será que isso se dá ao fato dela estar emocionalmente conturbada? Não sei... Mas é interessante como a narrativa flui, mesmo que incomode o fato dela lembrar de tantos diálogos e detalhes de momentos que aconteceram há meses ao escrever as cartas. Tudo bem que a autora usou deste artifício pra deixar a história mais interessante (e nos deixar ainda mais curiosos), mas esses pequenos detalhes incomodam.

Sair do drama e entrar no romance é o fim de qualquer mérito que este livro tem. Pitcher não só escreveu momentos românticos chatíssimos, como também fez dele um triângulo amoroso bem superficial. Junte uma protagonista sem identidade com dois garotos sem profundidade alguma e veja como um triângulo pode estragar qualquer enredo. Não acho que o romance atrapalhou. Muito pelo contrário, ele é crucial para o desenrolar da história. O grande problema está na construção dos personagens.

Agora, por que ele é bom mesmo sendo ruim? É que, mesmo com esses problemas na construção dos personagens, a narrativa é ágil e tem momentos interessantes. É difícil largar, mas depois é fácil esquecer.

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